A filosofia do absurdo em Rick and Morty

No primeiro episódio de “Os Flintstones”, exibido em setembro de 1960, a transformação das séries animadas para televisão têm sido tema de auto-exploração e conversas filosóficas. Nas últimas décadas, um número incontável de animações se apropriam da cultura pop e da vida cotidiana de seus telespectadores de um modo que os desenhos mais antigos falharam. Até mesmo os desenhos de maior sucesso não conseguiram fazer.

A essência dos desenhos animados mudou a forma como o público assiste. Isso é mais evidente durante os anos 80 e 90, quando a Nickelodeon e o Cartoon Network lançaram canais de TV a cabo voltadas para o público infanto-juvenil. O conceito de uma comédia animada desenvolveu-se a partir de meros esboços da imaginação de uma criança para episódios inteiros – temporadas inteiras – dedicados a questionar verdades – e inverdades – filosóficas mais profundas sobre a vida.

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Poster da primeira temporada de Rick and Morty

Talvez uma das animações importantes por fazer essas perguntas é a comédia/ficção científica “Rick and Morty”. Lançada em dezembro de 2013, na “Adult Swim”, – braço da Cartoon Network destinada a animações adultas – a premissa de “Rick e Morty” e seus personagens se auto-explicam são discutidos entre os telespectadores mais perspicazes, que se encontram perguntando as mesmas coisas que a série apresenta às crianças através das aventuras absurdas do cientista Rick Sanchez e seu neto Morty Smith.

O significado das experiências fantásticas da dupla à medida que atravessam várias dimensões do espaço-tempo é o reconhecimentos de dois fatos irreconciliáveis: os humanos existem em um universo totalmente indiferente a eles e que suas tentativas de compreender sua própria existência são inúteis.

O que se esconde nos diálogos e cenas mundas, – muitas vezes até grotescas – são as questões sobre o espaço incompreensível além da Terra e seu próprio caráter insignificante no universo.

Visualmente inspirada no terror cósmico de H.P. Lovecraft e baseado em uma escola filosófica chamada de Absurdismo, “Rick e Morty” explora o conflito entre a tendência humana de buscar significado na vida e a incapacidade subseqüente de encontra-lá. Usando – de maneira muito bem feita – a base teórica do existencialismo e do niilismo, o absurdo que se desenrola em cada episódio baseia-se na ideia de que seus personagens estão pré-destinados a uma dicotomia com situações sem sentido e ilógicas e vida real.

Isso é evidente nas diferenças entre Rick – que parece estar em uma busca constante do significado da vida – e Jerry, que, por causa de sua própria estupidez prazerosa, está perfeitamente contente com a ignorância e se dedicando a mediocridade de sua própria vida.

Embora cada episódio de Rick e Morty seja importante dentro de seu próprio contexto, Rick Potion #9, em particular, é um excelente exemplo de como os personagens lutam entre buscar o significado da vida e o conhecimento de que não tem sentido viver de qualquer maneira.

Quando Morty desenvolve uma paixão por uma garota da escola, ele pede a ajuda de seu avô para ter uma poção do amor que faça Jessica, seu interesse amoroso, se apaixonar por ele. Em uma série que explora eventos absurdos, que ocorrem após Rick fazer a poção do amor – e que, posteriormente, fornece um antídoto – a população mundial é rapidamente transformada em horríveis mantis mutantes – as pessoas que querem comer Morty.

Em breve, Rick percebe que a situação atingiu um ponto irreparável – os criadores deixaram bem claro que não usarão viagem no tempo (ufa!) – Em vez de criar outro antídoto, ele encontra uma outra dimensão no qual duas coisas ocorreram: versões alternativas de si criaram um antídoto para a população muntante, mas também morreram depois de descobrir o antídoto. Rick e Morty entram nesta nova dimensão, enterram os próprios corpos no quintal e deslizam de volta para uma nova versão da mesma realidade – com ninguém percebendo a insanidade que acabará de ocorrer.

Morty está horrorizado com a visão de seu próprio cadáver desfigurado e a tarefa de enterrá-lo como se nada acontecesse. Sua preocupação frenética é abordada por Rick da maneira mais simples:

Morty: “Mas e a realidade que deixamos para trás?”

Rick: “A resposta é:” Não pense nisso “.

Esta é uma das cenas mais importantes de toda a série, por mais curta que seja.

Não pense nisso. Não pense nas possibilidades que podem ocorrer em outros universos, não pense na morte do seu outro eu, apenas aceite o que aconteceu e retome sua vida na nova dimensão. Na ideia do absurdo e do conflito entre a perspectiva niilista ativa e passiva de Rick, é melhor abraçar a inutilidade da vida e seguir assim mesmo.

O diálogo final do episódio ressume de uma maneira genial a premissa de “Rick e Morty” de uma forma que os outros episódios não conseguem:

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Ninguém existe de propósito. Ninguém pertence a lugar nenhum. Todo mundo vai morrer… Bora ver TV?” Créditos na imagem

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Acesse o grupo Rick and Morty Brasil [Federação Galática]! (Beijo Gil! ❤)


Texto original: Study Breaks

Tradução: João Redmann


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